23 de fev. de 2026

LTBE - Capítulo 08

 Capítulo 08 : Desculpe, Magos Estão Indisponíveis

— Você só pode estar brincando comigo! Eu queria soldados esqueleto, então por que está me dando carregadores de caixão esqueleto profissionais que dançam?!

No campo de treinamento, um garoto de cabelos negros, profundamente frustrado, encarava boquiaberto os esqueletos carregadores, que dançavam enquanto transportavam o caixão em direção a um poste de madeira. Pela primeira vez, ele sentiu que havia sido enganado.

São 2500 Pontos de Afeição! Dois mil e quinhentos inteiros! Eu realmente gastei tudo isso para comprar… isso? Para que eu preciso disso? Para o meu próprio cortejo fúnebre?!

Roel levou a mão ao peito, sentindo uma dor tão intensa que parecia estar tendo um ataque cardíaco. Respirou fundo, recompôs-se e tentou uma última cartada.

— Parem aí por um momento!


Dez minutos depois.

Roel estava deitado na grama, encarando o céu azul e as nuvens brancas com olhar vazio, como o de um peixe morto. Os seis esqueletos estavam ajoelhados ao lado do caixão preto, como se aguardassem ordens para carregá-lo para o além.

Após uma série de tentativas frustradas, Roel finalmente compreendeu a verdade…

Esses carregadores de caixão simplesmente não serviam para combate!

Ele podia convocá-los separadamente, mas, por mais animados que fossem enquanto estavam próximos ao caixão, bastava afastarem-se dois metros dele para se tornarem fracos como pintinhos recém-nascidos. Até mesmo Roel, com seu patético nível F-, conseguia enfrentá-los de igual para igual!

Vale lembrar que Roel era apenas uma criança de nove anos, cuja aptidão mágica ficava bem atrás da de outros Aprendizes de Magia. Se cada esqueleto possuía força equivalente à dele, então o poder total do “Exército de Carregadores de Caixão” equivalia a meros seis Roels.

Ou, em termos mais simples: inútil.

Neste mundo, dizia-se que não existiam ocupações inúteis, mas havia, sim, diferenças gritantes entre os indivíduos. Segundo os critérios do Sistema: homens adultos comuns eram classificados como Rank F; magos com treinamento formal de milícia, Rank E; cavaleiros ou guerreiros experientes, Rank D.

Esses esqueletos eram lixo Rank F- quando afastados do caixão e apenas Rank F+ quando estavam a menos de dois metros dele. Em outras palavras, um simples soldado Rank E poderia derrotá-los sozinho!

Roel chegou a espiar o interior do caixão estava vazio. Ao menos o material parecia de boa qualidade.

Seres invocados dos Coveiros da Seita do Mandamento. Nascidos para a morte, trazem alegria aos vivos.

Ao recordar a maneira como dançavam com o caixão, um lampejo de compreensão surgiu no rosto de Roel. Ele finalmente entendeu o significado daquela descrição.

Seita do Mandamento, vou me lembrar de vocês!

Só esperem para ver se volto a comprar qualquer coisa de vocês! Se eu fizer isso de novo, eu viro um cachorro!

Roel rangeu os dentes e respirou fundo para se acalmar. Apesar da frustração, ao menos confirmara que era possível comprar itens nas lojas do Sistema e isso era o mais importante.

Era uma pena ter desperdiçado 2500 Pontos de Afeição, mas, comparado ao que poderia ganhar no futuro, não era nada. Com aquelas duas lojas do Sistema ao seu lado, ele acreditava firmemente que um dia abriria as asas e alcançaria o topo!

Só de imaginar, seu corpo tremia de empolgação.

Com expectativas mais baixas, sua hostilidade em relação ao “Exército de Carregadores de Caixão” diminuiu. Pelo menos aprendera uma lição valiosa: jamais julgar um livro pela capa, especialmente nas lojas do Sistema.

Não importa quão impressionante o nome ou misteriosa a descrição ele nunca mais seria enganado!

— Será que devo usá-los para ganhar dinheiro? Mas… como?

Roel apoiou o queixo na mão, observando os esqueletos pensativamente. Segundo o Sistema, os itens da Loja de Pontos de Afeição deveriam servir para gerar lucro. Mas como fazer isso com seis esqueletos dançarinos?

Além da aparência problemática, o modo como conduziam funerais era completamente diferente dos costumes da Teocracia.

Será que as pessoas deste mundo aceitariam despedir seus mortos com danças alegres?

Além disso, ele nem sabia como os habitantes viam os mortos-vivos. O jogo nunca mencionara isso. E considerando o nome Teocracia de Saint Mesit, ele tinha fortes suspeitas de que mortos-vivos não seriam exatamente bem-vindos.

Após refletir, concluiu que precisava primeiro ampliar seus conhecimentos sobre o mundo. Havia alguns livros básicos em seu quarto que ele vinha ignorando.

Decidido, ordenou que os seis esqueletos levassem o caixão para a sala de descanso ao lado do campo de treinamento. Depois de algum esforço para passar pela porta, conseguiram entrar.

Roel assentiu satisfeito. Ele era o único que usava aquele campo, e a sala raramente era visitada. Além disso, fora limpa naquele mesmo dia. Por enquanto, ninguém descobriria seus seis simplórios ossudos.

Com isso resolvido, partiu mais tranquilo em busca de sabedoria.


— Hm? Então existe diferença entre magos e feiticeiros?

Na sala de estudos, Roel folheava um volume grosso como um tijolo, intitulado A Origem dos Feiticeiros, e sentia sua compreensão do mundo se renovar rapidamente.

Não seria exagero chamar o Roel de nove anos de inútil. Apesar de ter um pai altamente respeitado como feiticeiro, sua ignorância era impressionante. Não era de se admirar que suas próprias Mãos Fantasma lhe apontassem um dedo médio.

Por isso agora estudava com afinco.

Descobriu um evento histórico crucial: o Cataclismo Espiritual da Capital.

Embora conhecesse fragmentos da história pelo jogo, os registros escritos eram muito mais detalhados.

Antes da Terceira Época, “magos” eram os praticantes originais da arte. O ano atual era 1003 da Terceira Época, o Ano das Trombetas de Guerra. A Terceira Época começou justamente após o Cataclismo Espiritual.

Antes disso, os países atuais não existiam e a humanidade ainda não migrara para o oeste. Na antiga capital lendária, ocorreu um fenômeno descrito pelos historiadores como:

“Incontáveis espíritos uivavam incessantemente na escuridão, suas presenças onipresentes. Era como se o crepúsculo tentasse nos falar.”



O evento ficou conhecido como os Sussurros dos Espíritos.

Após ele, o mundo jamais foi o mesmo.

A mudança foi a corrupção do mana.

Desde então, sempre que magos ou cavaleiros absorviam mana da atmosfera, podiam sofrer efeitos negativos. Os mais afortunados escapavam apenas com danos físicos leves. Os menos sortudos… enlouqueciam.

Nada provoca mais caos do que o colapso de um modo de vida.

No Antigo Império Austine, espíritos uivavam enquanto cavaleiros traíam aqueles que juraram proteger, e sábios magos tornavam-se bestas que devoravam seus semelhantes. Centenas fugiam diariamente apenas para descobrir que a loucura já se espalhara.

O último imperador declarou migração em massa para o oeste, afirmando que o império fora amaldiçoado por “aquele-que-não-deve-ser-nomeado”.

Décadas depois, atravessando miasmas e terras queimadas, chegaram a esta terra.

Mil anos se passaram. A humanidade desenvolveu novas teorias para lidar com o mana corrompido. Os cavaleiros mantiveram seus nomes tradicionais; os antigos magos passaram a se chamar feiticeiros.

Os feiticeiros atuais perderam a capacidade de lançar magia sem restrições, mas em troca obtiveram maior poder bruto.

Um exemplo citado: a técnica antiga Garra da Morte evoluiu para as Mãos Fantasma. Um mago antigo poderia esmagar o pescoço de alguém; um feiticeiro moderno poderia explodir a cabeça do alvo pagando o preço de queimar ou entorpecer as próprias mãos.

Após compreender essa diferença histórica, Roel consultou as escrituras da Teocracia de Saint Mesit e, aliviado, descobriu que a religião não nutria ódio oficial contra mortos-vivos  pois também eram considerados criações da Deusa Sia.

Ainda assim, isso não significava que o povo comum os aceitasse.

Ele duvidava seriamente que alguém apreciasse seis esqueletos simplórios dançando com um caixão.

Voltava então à mesma pergunta: como lucrar com isso?

— Corto em pedaços e dou para os cães?

Coçando a cabeça, olhou pela janela, pensativo.

Longos minutos se passaram.

De repente, seus olhos se arregalaram.

Um sorriso surgiu lentamente em seus lábios.

— Ah-há… isso pode funcionar!

 

A princesa mimada quer evitar a guilhotina - Capítulo 04

 Capítulo 04 :: Reunião 

— …De quem era aquela voz?

Depois da refeição, Mia dirigiu-se ao salão do Observatório Aéreo. Apesar do nome, o jardim não flutua de verdade. Ele foi construído sobre o teto do Palácio Whitemoon, projetando-se levemente para além das muralhas. Criado com a reunião das mais belas flores de todo o império, o jardim era um lugar magnífico perfeito para recepcionar membros da realeza de outros reinos.

Ela caminhou entre os canteiros por algum tempo, apreciando o perfume delicado das flores. Ainda assim, os pensamentos que a atormentavam não se dissipavam. Havia algo de que precisava se lembrar… algo precioso. Mas essa lembrança parecia envolta por uma névoa espessa, inalcançável, por mais que ela tentasse alcançá-la.

— …Já sei qual é o problema. Ainda não comi doces. Criadas! Tragam-me alguns doces, sim?

Mia bateu palmas, aguardando ansiosamente as guloseimas que lhe haviam sido negadas mais cedo. Sentou-se à mesa em um canto do jardim e esperou por alguns instantes. Logo, viu uma jovem criada aproximando-se. Ao perceber o que ela carregava, os olhos de Mia se arregalaram de expectativa.

Pelos graciosos luzeiros… será que é…?

Um bolo! Era um bolo. Um simples shortcake, coberto com bastante creme e generosas fatias de morango por cima.

Fazia tanto tempo que ela não comia bolos… bolos… e mais bolos!

Não apenas desde que fora capturada e passara seus dias no calabouço mesmo antes disso, quando as finanças do império começaram a ruir, ela já não podia se dar ao luxo de saborear tal doce. Naturalmente, a visão daquela sobremesa a encheu de entusiasmo.

Diante de Mia—

— Oh, desculpe por tê-la feito esperaaaaaar— eeeek!

Bem diante de seus olhos, Mia viu a criada voar! E, claro, o bolo voou junto com ela. Como em câmera lenta, o doce atravessou o campo de visão de Mia, que nada pôde fazer para impedi-lo…

Splatch!

O bolo se espatifou no chão. Milagrosamente, ainda conservava um pouco de sua forma. Mas a verdadeira tragédia estava apenas começando… a criada caiu sobre ele e o esmagou por completo.

Mia ficou sem palavras.

— Anne! O que pensa que está fazendo?!

Uma criada mais velha, que assistira a toda a cena de lado, correu em alvoroço.

— Mil perdões, Vossa Alteza. A senhorita está ferida?

Mia estava atônita, mas logo recuperou a compostura e sorriu.

— Não. Estou bem. Obrigada.

Em outros tempos, a antiga Mia teria gritado e lançado maldições à criada. Contudo, após experimentar os horrores da prisão, sua bondade tornara-se mais profunda que um prato de bolo e seu coração, mais largo que uma xícara de chá. Em outras palavras, agora possuía paciência suficiente para não ser chamada de egoísta embora talvez não suficiente para ser considerada uma pessoa comum.

Ainda assim, era um grande progresso. Sim, as pessoas crescem. Mesmo que seja mais devagar que uma tartaruga… não, que um caracol. Mia está crescendo! Por isso, mesmo agora, mantinha um sorriso no rosto — ainda que um pouco tenso.

— Não tem importância. Basta trazer outro bolo — disse ela, acrescentando, para aliviar o clima: — Mais importante, aquela pobre garota está bem?

Ela já havia evoluído a ponto de conseguir preocupar-se com suas criadas. Além disso, não haveria problema algum se simplesmente lhe trouxessem outro bolo.

— Sinto muitíssimo, Vossa Alteza. Era o único bolo que tínhamos para hoje…

— Você! Venha aqui! Ajoelhe-se imediatamente!

E assim, num instante, ela explodiu. Diante de um bolo arruinado, a tolerância de Mia era tão leve quanto chumbo morto ao vento bastava um sopro para que se dispersasse.

Afinal, o assunto bolo era sério. Ela não comia um havia tantos, tantos anos. Entre o bom senso e o bolo… o bolo sempre venceria.

— Meu bolo… como ousa fazer isso comigo? Você! Olhe para mim!

— Eeeek!

A jovem criada tremia diante de Mia, que batia o pé no chão. Era uma garota de meados da adolescência, talvez alguns anos mais velha que a própria princesa. Tinha cabelos ruivos agora cobertos de creme fresco. Sardas delicadas pontilhavam a ponta de seu nariz, e seus grandes olhos azuis brilhavam cheios de lágrimas.

Era um rosto mais gracioso do que belo. De todo modo, faltava-lhe a aura digna da nobreza. Parecia mais uma garota simples e adorável, como tantas que se encontram nas vilas do interior.

— …Você.

Ao ver aquele rosto, uma lembrança vívida retornou à mente de Mia.

Era uma memória do pior dia de sua vida o dia de sua execução.

Naquela ocasião, ela estivera sozinha no calabouço, aguardando a chegada inevitável de seu destino.

 

7 de out. de 2025

Dokutsukai no Toubousha - Capítulo 07

 Capítulo 07

 'Ei! Saia dessa! Atenção!'

Como se estivesse zombando do meu descuido, algo correu agilmente em minha direção. Com um baque, ele me apunhalou no braço.

“Ai!”

Eu olho para o lugar que de repente ficou dolorido.
Havia um monstro mosquito do tamanho de um punho preso em meu braço.
Ele perfurou bem entre a lacuna da minha Armadura de Fumaça.

Mosquito

“O que é isso?!”

Antes de entender completamente seu nome, eu o afastei por reflexo.
O Mosquito desvia agilmente da minha mão, paira e balança no ar antes de vir em minha direção novamente.
Meu braço lateja. Olho para a cicatriz onde seu ferrão perfurou e percebo que a dor está realmente percorrendo meu braço.
O monstro mosquito me picou e sugou meu sangue, né?
Ugh, existem monstros como esse? Eu vou ficar bem depois de ter sido picado?

'Eu não disse para você prestar atenção?!'

… tenho que me concentrar na batalha.
Este é definitivamente mais incômodo do que qualquer chicote venenoso que eu lutei agora.
Enquanto miro minha espada… o Mosquito se contorce e depois oscila. É fácil ver que seus movimentos estão se tornando lentos.
É quase como se estivesse me dizendo para mirar com cuidado, por favor. Mas… esse movimento me lembra algo.

Isso me lembra de quando eu era criança e um mosquito entrou voando dentro de casa.
Por ser um mosquito particularmente rápido, matá-lo foi muito difícil.
Era mais fácil exterminá-lo com uma lata de inseticida. O Mosquito está se comportando exatamente como um mosquito se comportaria após ser pulverizado com pesticida. Ele vibrou e caiu de cara no chão.

"… mas por que?"

Depois de me picar uma vez, ele estava tentando me picar uma segunda vez. Mas de repente ele simplesmente cai? O que é aquilo?
Falando nisso, dói muito onde fui picado... droga.

Algumas palavras apareceram, dizendo que ganhei 6 EXP.
Eu subo de nível para o nível 2.
Como esperado, subir de nível também não me dá uma recuperação completa... se isso acontecesse, a dor no meu braço teria desaparecido imediatamente.

‘Qual foi a razão de sua morte…? Pode ser possível que tenha morrido devido à toxina vaporizada que o chicote venenoso liberou. Ou talvez por causa de sua absorção de veneno (fraca), a toxina do pântano ainda está em seu sistema e morreu ao sugar seu sangue. Em outras palavras, pesticida é veneno, correto?'

Pois é... estou feliz por ter vencido sem ter que fazer nada, mas é uma experiência meio desagradável.
Talvez não fosse tão ruim se afastar, afinal.
Mas esta ferida... como devo curá-la? Será que vai sarar com algum descanso?

'Eu vou te ensinar como preparar poções depois. Você também pode colher algumas ervas medicinais ao longo do caminho.’

"Você não tem nenhuma poção, Veno?"

'Infelizmente, não tenho nenhum em mãos. Embora não sejam poções, se você deseja curar rapidamente suas feridas, então você pode pagar a um praticante de magia de cura com o dinheiro que ganhará com este pedido.’

"Provavelmente custará todo o dinheiro que vou ganhar."
"Gah… isso parece um desperdício total."

'No entanto... a parte picada por um mosquito não deve apenas coçar, mas também ser acompanhada de paralisia... mas você não tem nenhum desses sintomas.'

Coceira e dormência… parece que é a mesma coisa neste mundo.
Acho que a dor já está começando a desaparecer.

'É paralisia nervosa, sabe? Para os humanos, a área afetada deve inchar e, em poucos instantes, deixar de poder se mover. O seu mundo tem o mesmo tipo de mosquito?'

Não nessa medida.
Mas na verdade, dói normalmente.
… isso também é o efeito da Absorção de Veneno?

'Talvez. Se for simplesmente doloroso, deverá diminuir em breve. Devemos priorizar lidar primeiro com a carcaça do monstro.’

Lidar com as carcaças?
Na minha frente está o cadáver virado para cima de um Mosquito.
O que devo fazer com isso?

'O monstro já está morto. Vou armazená-lo com minha Magia de armazenamento de compressão. Se você não precisar dele, então servirá de alimento para mim.'

Cara, você come malditos insetos?

‘Você acha que tenho escolha nessas minhas circunstâncias?! Embora eu tivesse a Invocação de Possessão Forçada lançada sobre mim, não é como se meu corpo tivesse desaparecido. Bem, falando a verdade, não consigo mover meu corpo, então ele também não precisa de muito combustível.’

Ele vai comer tudo e qualquer coisa para sobreviver, hein?
Bem, pelo menos ele não está armazenando insetos na minha barriga.
Então, por conta disso e com sua magia de armazenamento, Veno cuidou do monstro derrotado desta vez.

Sem encontrar mais monstros, cheguei em segurança ao pântano venenoso onde recuperei a consciência.
Eu me pergunto se é devido ao Manto de Ocultação +3.
Se você pensar bem, os monstros não são mais perigosos que o veneno?
Não tenho escolha a não ser esperar que minha armadura faça bem o seu trabalho.

“Eu estava imerso nisso…?”

De volta ao pântano venenoso... e é roxo.
É quase como se estivesse dizendo que sou venenoso! em voz alta.
Bolhas sobem da água, com uma leve névoa cobrindo a superfície.
O ar não parece tão horrível, mas não estou aqui para desfrutar de um lindo passeio na floresta.

“Tudo bem então… então cheguei aqui ao destino. Onde cresce a marphina?

Pode parecer que estou falando comigo mesmo, mas estou falando diretamente com Veno.

'Lá. Vou indicá - la, juntamente com as ervas que conheço , com um marcador para você.

Quando ele disse isso, olhei para fora e vi uma grande placa redonda, simbolizando o que eu deveria colher.
É bom e fácil ter coisas tão simples de entender.
De repente, parece um jogo, mas simples é o melhor.
Como já estou aqui, é melhor pegar um pouco daquela erva parecida com penugem.

Pogneuk
Uma planta venenosa cujo pólen induzirá dificuldade para respirar uma vez inalado. Os caules também são venenosos e causarão uma inflamação semelhante a uma queimadura ao contato.

“Ei, essa coisa é venenosa!”
'É um ingrediente do composto. Mesmo com ervas medicinais, elas podem ser benéficas para os humanos, mas muitas vezes venenosas para os monstros.’

Dizem que não se pode alimentar animais com coisas como chocolate e cebola.
Coisas como álcool também.
Espere... se você não consegue nem respirar o pólen, eu deveria ter escolhido isso normalmente...?

Eu verifico minha mão que tocou nele.
… nada fora do comum. Sem queimaduras nem nada.
Isso também se deve à absorção de veneno? Muito útil.
Bem, não preciso me preocupar com isso. Posso deixar Veno cuidar disso com sua magia de armazenamento.

‘Estou profundamente interessado em saber até que ponto chega a sua absorção de veneno. Não se preocupe. Não estou esperando que você entre em contato com nenhum veneno que seja excessivamente perigoso. Você pode simplesmente colher à vontade.’

Claro, tanto faz.
Já que ele disse isso, colhi plantas venenosas e cogumelos tóxicos ao longo do caminho.
… há menos monstros aqui do que eu pensava.
Digo a Veno mentalmente, depois de esfaquear um monstro que parecia um grande besouro rinoceronte – um Besouro Venenoso.

Tudo o que havia aqui era isso e o Mosquito. Meio decepcionante, para ser sincero.
Nada além de batatas fritas, você poderia dizer.
Ah, subi de nível para o nível 3.
As coisas estão indo muito bem. Mas também não posso dizer que estou comovido com isso.

'Monstros mais incríveis estão - se eu tivesse que adivinhar - ou se escondendo ou que viemos logo depois que outro aventureiro passou por aqui.'

Arleaf deve estar por aqui.
Talvez ela tenha vindo e matado todos eles?

'Ah, aquela humana? Ela estava queimando incenso que repelia monstros; talvez os monstros estejam preocupados com o cheiro e tenham ido embora. Esse era um cheiro bastante ofensivo, sabe?

O ecossistema aqui... não é exatamente um sertão onde vivem monstros perigosos.
Afinal, um homem adulto sem habilidades de sobrevivência pode chegar aqui a pé em 30 minutos.

‘De qualquer forma, você não tem escolha a não ser usar a situação em questão. Colha rapidamente a planta que você veio buscar.'

Assim, segui a orientação de Veno até o final… até um ponto destacado no meio do pântano de frente para um penhasco.
É um lugar onde as bolhas sobem fortemente da água.
É uma fonte com aquecimento geotérmico? Coloco a mão sobre a superfície da água, mas não sinto calor.

A propósito, embora seja chamado de pântano, não é como se fosse tão espesso e lamacento que você não pudesse ver.
É um lago arroxeado, avermelhado e esverdeado; muito colorido.
A clareza, porém, é limitada, tornando-a uma cena sinistra, mas bela e maravilhosa.

'Olha, você vê o musgo crescendo no fundo do pântano? Esse é o musgo venenoso, marphina.

Sinto que vou ser atacado por piranhas ou algo assim se nadar ali.

'Existem peixes, mas eles só se alimentam de coisas que são fracas para envenenar e morrer ali. Em primeiro lugar, parece que há peixes grandes lá dentro?’

Por precaução, tento observar acima da água.
Não é um pântano tão profundo, mas ainda é difícil dizer se alguma coisa está escondida no fundo.
Mas como é um pântano venenoso, se alguma coisa vive num ambiente tão extremo, deve ser muito difícil, certo?
Bem… estou cauteloso com isso, mas vamos mesmo assim.
Se bem me lembro, na água, minha Armadura de Fumaça é fraca e não ativa… mas eu entro.

Oh? Está mais quente do que eu pensava. É tão bom quanto um onsen.
Isso não é veneno? Pensei comigo mesmo enquanto verificava minha tela de status para não encontrar sinais de que minha resistência ou saúde diminuíssem.
Falando nisso… os números parecem estar aumentando muito, mais altos do que eu pensava que era minha saúde…

Encontrei meu alvo, Marphina, enquanto pensava naquela bobagem.
É mais rígido do que eu esperava, então usarei minha Espada Flyiron +4 para raspá-lo.
Eu não acho que posso armazená-lo com magia de armazenamento, a menos que eu faça isso. Não é apenas uma dor, mas também demorado.
Mas está crescendo bastante, hein? Estaria tudo bem se eu colhisse tudo?

'Você deve fazer isso de uma forma que não destrua o meio ambiente. Você pode ter a chance de colher aqui novamente.'

Mais ou menos como colher cogumelos ou inhame da montanha, eu acho. Conhecimento assim é igual em qualquer mundo, né?
Por enquanto, está ficando forte, então vou aguentar o máximo que um inseto puder mordiscar.
… por alguma razão, mergulhar neste pântano é muito bom.
É tão bom que talvez eu adormeça aqui. Não que eu vá.
A razão pela qual eu estava me sentindo tão confortável quando Arleaf me acordou foi por causa disso?

"Hum? Espere... minhas feridas...?

A ferida infligida pelo Mosquito já foi fechada.
Não há sequer uma cicatriz para mostrar isso.

'O veneno pode ir tão longe a ponto de curar você? Aprendi algumas informações benéficas sobre você. Parece que enquanto você está no pântano, você tem recuperação natural.’

A Absorção de Veneno (Fraca) é infinita em sua recompensa.
Além disso, parece que meu cansaço também está desaparecendo.
O estresse e o cansaço que acumulei trabalhando naquela fábrica não são aliviados tão facilmente, mas me sinto leve como uma pluma.
Definitivamente é devido às toxinas do pântano. Não há perguntas sobre isso.
Nas duas horas seguintes, colhi enquanto relaxava.

‘Sim… colher tanto não será um problema.’

Eu saio da lagoa, acenando com a cabeça às palavras de Veno.
Meu corpo parece um pouco pesado, mas é como me sinto normalmente.
O que senti no pântano é provavelmente o anormal.

'Você estava realmente absorto em sua colheita.'
“E isso nem me cansou.”

Ou talvez eu pudesse até dizer que meu corpo está perfeito agora. Até minha sonolência havia desaparecido.
Curar minhas feridas foi um bônus além disso. Não importa o quanto eu trabalhe demais, ainda posso me recuperar totalmente com isso.
Foi uma sensação curiosa, como se eu estivesse me exercitando enquanto dormia.

“Agora então… o que devo fazer?”

Consegui obter marphina.
Tudo o que tenho que fazer é voltar, mas como estou aqui, quero continuar colhendo 
Coloco minha armadura de volta e caminho para onde meu humor me levar.
As plantas crescem esparsamente na área devido ao pântano venenoso, tornando a vista bastante agradável.
Monstros como o Mosquito Verde Spray se aproximam de mim, mas posso facilmente derrotá-los.
Minha espada também corta muito bem. Um simples arranhão mataria monstros de nível baixo como o Mosquito Verde Spray.
Mesmo se eu fosse atacado, eu sempre poderia simplesmente pular de volta no lago para me recuperar. É muito reconfortante.

É muito bom saber que posso lutar com segurança, desde que evite ferimentos fatais.
Embora eu não esteja fazendo muita coisa além de cortar trepadeiras e insetos.
Sinto como se estivesse jogando no modo fácil... mas está tudo bem mesmo?
Aqueles bandidos que estão tentando matar o Veno não estão por aqui?

— Sim. Só posso dizer que nosso progresso foi bom até agora. No entanto, assim como aconteceu com você, isso me deixa inquieto.

Dizem que não se deve baixar a guarda depois de uma vitória, certo?
Então, não vamos nos descuidar.
Como quando fui picado pelo mosquito depois de terminar de cortar a videira.
Mas enquanto eu avançava com cuidado...

Uau!

Ouvi um uivo distante, vindo de algum lugar mais distante.
Enquanto inspeciono os arredores, Veno destaca com um marcador.

Quatro Lobos Azuis Meia-Noite
Um Lobo Azul Meia-Noite Alfa

Os monstros apareceram, respectivamente.
Parece que formaram uma matilha.
São monstros do tipo lobo, certo? Todos eles são bem grandes.
Um pouco maiores que um golden retriever.
Sem mencionar que o alfa também é cerca de uma vez e meia maior.
Estou... em apuros, não estou? Mesmo que, devido ao medo instintivo, eu já esteja correndo a toda velocidade.

"Hmm. Você terá dificuldades com muitos deles."

Veno me avisou.
Sou um cara que mal quer lutar! Claro que eu sabia disso.
Como se o Alfa Lobo Azul Meia-Noite estivesse me observando, ele fixa o olhar em mim e rosna.
De qualquer forma, são muitos! Mesmo um deles já seria forte o suficiente.

Au, au!

Eles estavam bem longe, mas num piscar de olhos, formaram um bando e avançaram em minha direção.
Percebo que são poderosos só pela velocidade.
Definitivamente não estão no mesmo nível de trepadeiras e insetos! Meus instintos me dizem que, se eu fosse cercado, estaria perdido.

"Guarde minha armadura!"
'Sim!'

Antes que eles se aproximassem, pedi a Veno que guardasse minha armadura enquanto mergulhava no pântano bastante profundo.
Com grandes respingos, nado em direção ao meio do lago e olho para trás, para a margem, onde os Lobos Azuis Meia-Noite continuavam a rosnar e latir.
Você achou que eu era uma presa fácil, não é?

Haha! Vocês não ousariam entrar neste pântano perigoso, não é mesmo, vira-latas?
Não demorou muito para que um dos Lobos Azuis Meia-Noite perdesse a paciência e pulou no pântano venenoso, nadando como um cachorrinho em minha direção.
Merda! Ele pulou! Eu não tinha pensado na possibilidade de eles serem resistentes a veneno, já que aqui é o habitat deles.

Ha, ha…

Ah, é? Está perdendo força.
Quando mergulhou, pensei que pudesse ter resistência a veneno, mas não parece ser o caso.

"Idiota! Este é o meu território!"

Com meu corpo leve como uma pena, nadei em direção ao Lobo Azul Meia-Noite e o ataquei na água com minha espada.
Droga, não importa o quão leve eu seja, ainda estou na água.
Não consegui apunhalá-lo tão bem quanto pensei.

Rugido!

Enquanto era esfaqueado, o Lobo Azul Meia-Noite avançou em minha direção, mirando meu pescoço. Eu me protejo da mordida dele com o braço.
Nossa! Meu braço vai se quebrar!
Que força, esse monstro! E ele ainda tem a coragem de me atacar furiosamente!
Enfim, tendo escapado por pouco da mordida dele, se eu não derrotar esse Lobo Azul Meia-Noite com mais um movimento, os outros podem vir me atacar.
Com toda a minha determinação, reúno toda a força que tinha. Uso meu braço ferido para me agarrar ao lobo por trás e afundá-lo na água.

Blub blub blub?!

O Lobo Azul Meia-Noite, afundado na água e incapaz de respirar, para de morder e tenta manter o rosto acima da água.

'Não deixe respirar!'

Enquanto interfiro com o lobo, inclinando-me sobre ele por cima, empurro minha espada descuidadamente.
O sangue do Lobo Azul Meia-Noite tinge a água, dando ao pântano uma tonalidade suspeita.

O lobo geme de dor.

Ah, sim? Está ficando cada vez mais fraco.

"Parece que o veneno está entrando no organismo dele. Pode ser um monstro de nível mais alto para você, mas você sabe lutar bem com seus planos."

Assim que pensei que ele estava começando a convulsionar, o Lobo Azul Meia-Noite parou de se mover.
Eu o matei mais rápido do que imaginei.

Uau!

O Alfa Lobo Azul Meia-Noite uivou de raiva ao ver um dos seus ser morto. Mas não havia sinais de intenção de vir até aqui.
Talvez seja óbvio. Não parece que os Lobos Azul Meia-Noite tenham qualquer tipo de resistência a veneno.
Além disso, onde fui mordido estava visivelmente se curando de forma constante.

'Agora então... o resto deles está observando para ver como você vai sair, hmm?'

Uau. Quase consigo acreditar que não vou morrer enquanto tiver aquele pântano tóxico.
Então, a estratégia do Alfa Lobo Azul Meia-Noite é não me deixar escapar, simplesmente circulando pela água e tentando me intimidar?
Talvez eles estejam planejando me matar assim que eu sair da minha zona de segurança ou talvez estejam prevendo que eu sucumba ao veneno.

'Como o líder dos monstros tem experiência em batalhas aqui, seria mais fácil esperar pelo oponente. Já que só o subalterno tolo morreu.'

Entendo. Só uma presa idiota entraria num pântano tóxico por vontade própria, é o que eles estão pensando.
Pois bem, armazenar o cadáver do Lobo Azul da Meia-Noite imediatamente não seria problema algum, certo?

'Ah. Já que você já lidou com ele com muito esforço, não vamos desperdiçar sua pele também. Gostaria dos ossos?'

Apenas no caso de…

'Nesse caso, aproveitarei a refeição.'

Por algum motivo, a ideia de Veno despedaçando o cadáver e devorando sua carne deliciosa simplesmente me veio à cabeça.
Mas como é mesmo?
Espera, não coma no meio da batalha, porra!

'Se você sucumbir aqui, eu também sucumbirei! Vou festejar! Desejo uma última refeição antes de perecer!'

Ah, tanto faz, você não passa de um espectador inútil de um dragão!

"Hum…"

Talvez eu esteja apenas vadiando agora, passei por um aperto. Embora eu não devesse morrer nesta poça venenosa.
... é outra história se eu atingir os limites do que a Absorção de Veneno pode fazer. É
por isso que, enquanto me preocupo com o que me cerca, também estou descobrindo uma maneira de atacar e executar meus planos.
A imagem da Liberação de Veneno surge em minha mente.

Spray de toxina de pântano
Spray de toxina de mosquito verde

Hmm? O veneno do Mosquito Verde em Spray também foi adicionado à lista.
Talvez seja uma habilidade de aprendizado.
Quando verifiquei os detalhes, uma quantidade restante foi exibida. Isso deve significar que meu estoque é limitado.
Então... tenho praticamente cargas ilimitadas para a toxina do pântano, né?

'É... parece que você consegue atacá-los da sua área segura. Talvez consiga alguma coisa se executar bem seus planos.'

Veno tem a coragem de fazer esses comentários de boca cheia.

Eu grunhi alto enquanto jogava a gota de veneno no Alfa Lobo Azul Meia-Noite.

Uau!

Como esperado, o lobo desviou facilmente do veneno antes que ele atingisse. Mas eu vou acabar acertando um deles se continuar jogando, certo?
Sem mencionar que tenho um estoque inesgotável disso.
De qualquer forma, estou seguro aqui na minha poça de veneno!
Joguei dezenas dessas bolas de veneno sem ficar sem fôlego.

Uau!
Au?!
Uau, uau! Au!

O Alfa Lobo Azul Meia-Noite percebeu que não seria morto pelo meu veneno e que eu não sairia da minha zona de segurança. Eles fugiram juntos imediatamente.

"Eles escaparam depois de perceberem a desvantagem? Talvez seja da natureza do líder e não do resto da matilha."

Já que matei um deles, eles não podem deixar de voltar e se vingar, certo?

"Se tivessem tanta persistência, isso poderia levar à própria ruína. Devem estar culpando o fracasso por subestimarem o oponente."

Que bom se for esse o caso...
Se eu só conseguisse sobreviver na minha zona de segurança, minha fraqueza seria óbvia.
É melhor eu não ficar convencido.

'Sim... aprendemos um pouco mais sobre nós mesmos. Ter tanta compreensão em nosso primeiro dia de convivência é um grande progresso.'

Sim, sim.
Saio da piscina e observo os arredores.
Não... há outros monstros.
Como parece seguro, vou pedir ao Veno para pegar minhas roupas.
Poder me trocar num instante também é bem útil.
De qualquer forma, vou investigar um pouco por enquanto?

'Hmm? Olhe ali.'

Olho para onde Veno marca com um marcador.
Vejo uma caverna ali.

"Acho que é uma masmorra."

Dungeon?
Uma Dungeon, como em um RPG, onde se escondem grandes tesouros?
Tem até coisa assim neste mundo, né?

'Sim... embora existam vários tipos de masmorras.'

Tipos?

"Seria uma longa explicação. Tudo bem?"

Seria melhor saber um pouco sobre eles, não acha?

'Sim... então, para simplificar. Primeiro, há o tipo em que a magia é criada pela torção do espaço. É uma reação curiosa à Magia de Compressão de um monstro. O processo coleta essência mágica e cria muitas coisas diferentes. É um dos meus pontos fortes destorcer e desmantelar essas masmorras.'

Distorcer o espaço, hein?
De certa forma, é um acúmulo de magia?

O próximo tipo são os restos de ruínas. Muitas vezes, relíquias do passado espreitam. Bem, se houver uma alta densidade de magia, é mais do que provável que seja o covil de um monstro. Eu também costumo explorar a curiosidade para atrair outros para o meu ninho.

A caça ao tesouro de um dragão... se você pensar bem, verá muitos casos na ficção em que dragões acumulam tesouros.
É fácil imaginar humanos saqueando objetos de valor, mas acumular também faz parte da natureza dos dragões, pelo que vejo.

'Fico feliz que isso seja fácil para você entender. A seguir, temos masmorras criadas pelo próprio monstro. Ninhos, como o meu, geralmente são feitos para monstros notáveis.'

Ah, essas são masmorras feitas de algo parecido com um ninho de dragão ou um formigueiro.
E aí? Qual é esta?

'Nem eu consigo sentir algo assim à primeira vista... no entanto, é provável que isso seja feito naturalmente ou um resquício, já que não há monstros como sentinelas.'

Hmm… então vamos entrar?

— Não faremos isso. Pelo menos não por enquanto. Entrar numa masmorra sozinho não seria suficiente.

É, eu pensei que sim.
Para um cara que teve uma luta tão difícil fora da masmorra, entrar seria imprudente.
Como eu disse...

“Ei, aquela pessoa ali…”

Uma pessoa misteriosa com uma máscara de gás?
Não, aquela voz... é Arleaf, que de repente aparece ao sair da caverna, me vê e me chama.
Nas costas dela, há uma montanha de ervas coletadas.
Parece que Arleaf estava colhendo naquela masmorra.

 

29 de set. de 2025

A vilã está mudando seu papel para uma Brocon - Capítulo 11


Capítulo 11:: Apesar de ser a vilã, estou conquistando a heroína

Antes da aula da tarde começar, Ekaterina entrou correndo na sala e, enquanto se ajeitava apressadamente, lançou um sorriso para a colega ao lado.

— Muito obrigada pelo que fez há pouco. Graças a você, meu irmão ficou contente.

— Fico feliz se pude ajudar.

Flora sorriu gentilmente, mas então uma voz desagradável chamou atenção.

— Pessoas baixas são tão insolentes, não é?

— É mesmo, é mesmo.

(Esses dois se apresentando? Que audácia!)

Irritada, Ekaterina pensou em lançar um olhar fulminante, mas percebeu algo antes.

Flora abaixara o rosto. Normalmente, ela ignoraria com elegância qualquer comentário maliciosa do trio Soiya.

Estranho…

Foi então que Ekaterina notou que o uniforme de Flora estava um pouco sujo, com manchas de terra.

Droga! Elas passaram das palavras para a força física!

No entanto, naquele momento, a aparição do professor foi quase providencial. Por pouco não teria ocorrido uma briga direta com o trio, transformando a situação em um verdadeiro catfight¹.

Droga… o que vou fazer com elas?

— Flora, posso falar com você um instante?

Após a aula pouco produtiva, Ekaterina se aproximou de Flora.

— S-sim…

Flora arregalou os olhos. Ekaterina percebeu que, sem querer, a chamara pelo nome próprio.

Hora de pressionar.

— Não seria inconveniente eu chamá-la pelo nome?

— Não, de forma alguma! Pode me chamar assim.

— Que bom, fico contente. E também me chamará de Ekaterina, certo?

— Mas… isso é…

— Não se incomode… Ao saber de sua mãe, senti-me próxima de você. Gostaria de nos tornarmos amigas.

— Eu não… de forma alguma!

Os cabelos cor de cerejeira de Flora balançaram suavemente enquanto ela negava com a cabeça.

— Apenas… somos de classes sociais tão diferentes que me sinto… privilegiada demais.

— Não se preocupe. Só quero que saiba que ficarei feliz se me chamar assim.

— S-sim… Fico feliz também por ouvir isso.

As bochechas de Flora coraram, e ela sorriu. Verdadeiramente, parecia uma fada das flores, como seu nome indicava.

Curiosamente, em um mundo onde os nomes próprios seguem estilo russo, o nome Flora soava exótico. Na vida passada, não tinha notado, mas era como se um japonês se chamasse Maria: não exatamente extravagante, mas incomum.

— Flora, poderia me mostrar seu caderno? Você sempre anota tudo tão bem.

— Claro, fique à vontade.

— Que gentileza. Eu costumo organizar assim.

— Que ideia interessante!

Na verdade, a técnica era idêntica ao método de anotações de negócios que Ekaterina aprendera em seu primeiro emprego, só que aqui não havia marcadores ou canetas coloridas. A pena era elegante, mas desconfortável: o cabo fino dificultava segurá-la, a tinta era pouca, e a ponta se desgastava facilmente, exigindo afiação constante… Ah, que alguém inventasse algo melhor logo.

O caderno de Flora estava impecável, e ela registrava com clareza tudo que o professor explicava oralmente.

— Que organização perfeita! Posso copiar algumas partes?

— Claro.

Nesse momento, vozes maliciosas se ouviram.

— Está levando elogios a sério, que patético.
— É mesmo.

Ekaterina apertou levemente um ouvido, inclinou a cabeça e sorriu.

— Deve ser por causa do calor… esses insetos estão incomodando, não é?

Flora arregalou os olhos e riu baixinho.

— Se ficar muito incômodo, vou pedir para exterminá-los… Oh, desculpe, falei sozinha.

Flora apenas balançou a cabeça.

Não fez comentários impróprios do tipo “então faça o serviço!” — claramente, havia diferença de classe e educação.

Agora, o trio Soiya provavelmente percebeu que a filha do Duque Yurnova estava protegendo Flora. Não tinham chance de se juntar a ela, e se tentassem machucar Flora novamente, não sairia barato.

— Flora, amanhã também vai me ensinar a cozinhar?

— Se para você estiver bem comigo, é claro!

Ekaterina decidiu permanecer próxima para proteger Flora, pelo menos até que eventos com o príncipe começassem e ela pudesse contar com sua proteção. Para isso, planejaria cozinhar e estudar juntas, aumentando a intimidade.

Isso está parecendo um aumento de pontos de afinidade com a personagem, igual em jogos…

Uma vilã conquistando a heroína que piada é essa? Um romance yuri assim não existe em nenhum jogo.

Na verdade, Ekaterina nunca jogou todas as rotas do jogo, mas… seria estranho, né?


Nota de tradução 

[1] Catfight" é um termo em inglês para uma briga, discussão ou querela intensa, especialmente entre duas mulheres, que pode ser física ou verbal, e que é frequentemente caracterizada de forma pejorativa, sugerindo futilidade ou espetáculo para outros. 

 

Kukuku - Capítulo 01

  Capítulo 01 :: O Caso da Minha Casa Queimando”

Blazel, o Refúgio Incandescente.
Luviana, a Névoa Ofuscante.
Voganis, o Tsunami Despedaçador.
Finalmente eu, Capsodia, o Escorpião Morto.

Nós éramos todos amigos de infância.
Nossas casas ficavam perto, nossos pais se conheciam, fazíamos da floresta e da masmorra nosso playground e permanecíamos sempre juntos.

Mesmo depois que nossos corpos cresceram o suficiente para lutar contra humanos, fomos designados para o mesmo batalhão e corremos pelo campo de batalha lado a lado.

Depois de obtermos grandes resultados na batalha, fomos reconhecidos como superiores de nossas raças e, em pouco tempo, nos tornamos nomes importantes.

Chegamos até a nos enraizar na política.

Fomos nós que concebemos o sistema dos “Quatro Reis Celestiais”.
Até então todo o demônio estava sob o Grande Rei Demônio como um só. Porém, o Rei é um ser muito ocupado, e para ele se envolver em todos os campos de batalha ao mesmo tempo era difícil.

Como resultado, sob o Rei Demônio foi criado um sistema executivo com representantes de cada raça. Esse foi o sistema dos Quatro Reis Celestiais.

A propósito, nós somos a segunda geração.
A geração fundadora se aposentou há apenas alguns anos, e nós assumimos seus papéis.

Finalmente chegou nossa hora de brilhar.
Foi então que fui avisado da minha demissão.


Lamentei profundamente ter que me aposentar.
Apesar de bancar o durão diante de Luviana dizendo que eu “iria me retirar”, por dentro minhas preocupações não diminuíam.
Sinceramente, mesmo depois de deixar o Exército do Rei Demônio e voltar ao campo, a única coisa que me espera lá é trabalho na fazenda. Desde que me dediquei ao Grande Rei Demônio, vencer batalhas era a única coisa em que pensava.

Eu nem sei plantar sementes. Ser zoado pelos demônios do interior deve ser a piada final.

Além disso, o que meus amigos do campo vão pensar quando me virem retornar da cidade?

“Kukuku… Ele é o mais fraco dos Quatro Reis Celestiais.”

…Não é bom.
Quanto mais penso, mais dá vontade de chorar.

Por ora, voltarei para minha residência oficial.
Por mais que me digam para partir, não vou ser expulso assim tão fácil. Por mais impaciente que Blazel seja, ele pode esperar até eu juntar todos os meus pertences.


Quando cheguei à residência oficial já estava escuro.
Apesar de ser uma residência oficial, como sou um Rei Celestial, parecia uma casa bastante grande.
Era grande demais para uma só pessoa, mas de fato aquele era o único território concedido a mim.

Agora, a única capaz de curar meu coração ferido e ingênuo era (Cérbero), meu amado cão.

— Já cheguei em c—

BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOMMMMMMMM!!!!!!!!!!

Foi quando abri a porta para entrar em casa.
Um grande incêndio surgiu de repente. Subiu alto no céu e tingiu a noite negra de vermelho.
O fogo tomou a forma de uma cruz e, num piscar de olhos, derreteu tudo ao redor num instante.

Quando recobrei os sentidos, tudo havia desaparecido.
Minha casa, meu jardim, até meu querido cachorro…

— Q-o que diabos é isso—

— Ho, você sobreviveu, hein.

O que apareceu foi um lagarto gigante, coberto por escamas que pareciam duras como metal.

— F-foi você…? Você queimou minha casa?

— Ei, ei, primeiro responde minha pergunta. Bem, de qualquer forma tanto faz. 

O lagarto golpeou seus punhos um contra o outro. Naturalmente, seus punhos também eram cobertos por escamas duras. Um som estrondoso, como metal se chocar, reverberou por toda a área.

— Eu sou Bastrine, subordinado de Blazel, o Queimado.

— Responda logo. Você queimou minha casa??

Olhei furiosamente para Bastrine.

— Hmmm… você certamente sabe como criar um clima. Mesmo que tenha se aposentado, você ainda é um Rei Celestial, não é? Mesmo sendo o mais fraco, ainda é um Rei Celestial. Sim, como você disse: eu queimei sua casa, por ordem do senhor Blazel. Fui instruído a apagá-la sem deixar vestígios, então foi o que fiz.

— Entendo…

— Também recebi outra ordem, sabe.

Bastrine riu de boca aberta. Chamas vermelho-vivas brilhavam intensamente dentro de sua boca.

— SE EU TE MATAR, SEREI FEITO O QUARTO REI CELESTIAL!!

— Ah… é? Então você pode simplesmente—

MORRER.

Disse calmamente, apontando para Bastrine.

— HA, O QUE VAI MORRER É VOCÊ… o que… m-meu peito…

Bastrine de repente começou a contorcer-se de dor. Quando a chama que ele estava prestes a soltar se apagou, Bastrine começou a esvoaçar desesperadamente, pressionando a garganta.

— Nã…o pode ser… Uu, Ó Imperador Celeste, fraco… ezt… NUUAAA!

Eventualmente, o lagarto gigante tombou para frente.

Bastrine, que até pouco antes se gabava, agora estava morto.