24 de fev. de 2026

Welcome to Cheap Restaurant Vol. 01 - Capítulo 04

  Capítulo 04 : Preparativos para a Abertura e a Escrava Exilada (Parte Final)


 Quando Dennis ainda era pequeno.

Vivendo nas sombras dos becos que se escondiam atrás do brilho da capital, sobrevivendo de restos e ratos.

Naquelas noites, o mais importante era não se mexer e não pensar.
Não gastar energia à toa. Não alimentar pensamentos inúteis.

Chovia naquele dia.
Magro e frágil, Dennis tremia sob um casaco esfarrapado que alguém havia jogado fora, usando-o como abrigo contra a chuva.

Enquanto permanecia encolhido num canto do beco, viu uma mulher passar apressada. Corria, sem sequer notar sua presença.

Algo caiu do bolso do casaco dela. Dennis percebeu.
A mulher, porém, não.

Guiado pela luz difusa de um lampião, aproximou-se.
Era uma carteira.

Dentro, havia uma quantia absurda dinheiro que Dennis jamais tinha visto na vida.

Ele a segurou contra o peito e saiu do beco à procura da mulher.

Queria devolvê-la.

Pensou que, se ela perdesse aquilo, ficaria em apuros.
Assim como ele ficaria se perdesse aquele casaco velho.
Sem ele, como enfrentaria o frio e a chuva?

Era simples assim.

Correu bastante até encontrá-la. Ela já havia percebido a perda e procurava desesperada.

Com receio, estendeu a carteira.

A mulher a pegou, surpresa, examinando-a sob a chuva.

— É minha carteira.

Depois olhou para ele.

— Curioso… por que você pensou em me devolver?

Dennis abriu a boca, sem entender bem o que ela queria ouvir.
Sentia que precisava responder, mas fazia tanto tempo que não falava que a garganta se fechou. Nenhuma palavra saiu.

— Poderia ter ficado com ela. Se alguém é tola o bastante para deixar cair algo importante, merece ser roubada, não acha? Eu pensaria assim. Você não?

Dennis não entendia a pergunta.

Só pensou que ela teria problemas.

Talvez não fosse bondade pura talvez apenas não soubesse o valor real daquele dinheiro.

— Tanto faz. Venha comigo.

Ela era, apesar da juventude, chef de um restaurante renomado da capital.

Levou Dennis até lá e o sentou na mesa reservada à realeza e aos grandes nobres ainda coberto de sujeira.

Preparou rapidamente arroz frito e sopa.

Até então, Dennis nunca tinha chorado.
Na verdade, não sabia o que era chorar.

Não compreendia sua própria condição, muito menos o significado das lágrimas.

Mas, ao levar à boca aquele arroz quente, lágrimas começaram a cair sem que entendesse o motivo.

Chorando como um bebê, segurando a colher de forma desajeitada, devorou o prato.

Foi a primeira vez que sentiu algo que pudesse chamar de… delicioso.




Será que a chef está bem?

Ele havia saído brigado, levado pelo impulso.

Quando o restaurante estivesse estável, iria visitá-la e pedir desculpas.

O pensamento atravessou sua mente por um instante.




Enquanto isso, mercadores avaliavam a garota escravizada exposta à venda.

— Num bordel, renderia uma fortuna.
— Em poucos anos perde o valor.
— Dá para recuperar o investimento. Se pegar doença, vende pra um circo.

Dennis ouviu.

— Vamos, vamos! Uma peça dessas é rara! Quem dá mais?

— Trinta!
— Cinquenta!

Os lances subiam em sinais discretos com os dedos.

— Sessenta!
— Sessenta e três!
— Sessenta e seis!

— …Cem.

Foi Dennis quem disse.

Todos olharam para ele, braços cruzados ao fundo.

Droga. Fiz besteira.

Mas agora já estava feito.

— Cem do rapaz lá atrás! Mais alguém?

O mercador olhou em volta.

— Está com o dinheiro, não está?

Dennis tirou várias moedas de ouro do saco.

— Hahaha! Um jovem mais rico do que parece!

— Espere! Cento e cinquenta!

Dennis virou-se.

Um homem gordo, rosto brilhando de gordura.
Parecia que dava para extrair óleo da própria cara.

O dono da loja de bugigangas.

— Hehehe… Uma garota tão linda… vou levá-la para casa e cuidar muito bem…

Que tipo de pervertido é esse?

Dennis se repreendeu. Não podia julgar pela aparência.

Talvez fosse apenas… estranho.

— O Polbo apareceu…
— Se ele comprar, acabou. A garota não dura meses.

Droga. É pervertido mesmo.

— Duzentos!
— Trezentos… hehehe…
— Trezentos e cinquenta!
— Quatrocentos!
— Quatrocentos e cinquenta!!




Agora, sentado numa casa vazia recém-comprada, Dennis estava em choque.

Diante dele, a garota de cabelos prateados que vencera no leilão.

Contou as moedas várias vezes.

— Não faz sentido… Eu tinha tanto dinheiro… depois dos custos da loja e disso tudo… quase não sobrou nada…

Estava à beira das lágrimas.

— Seu nome?

— Não tenho mais.

— Claro que tem.

— Tinha. Perdi.

Dennis suspirou.

— Como devo chamar você?

— “Escrava” está bom.

— Não é isso.

Ela pensou.

— Se precisa de um nome… chame-me Atelier.

— Certo. Atelier, então.

Bateu palmas, meio desesperado.

— Bem… prazer.

— Por que me comprou?

— Só me lembrei de algo do passado.

Passou as mãos pelos cabelos curtos.

— Se acha que consegue fugir e viver sozinha, pode ir. Não me importo.

— Qual é o nome do meu dono?

— Não me chame assim. Sou Dennis.

— Dennis-sama.

— Não coloque nada depois.

— …Sama.

— Isso é ainda pior.

Ela olhou ao redor.

— O que devo fazer?

— Nada. Durma no segundo andar. Estou triste demais pra pensar. Minhas economias desapareceram.

De repente, o estômago dela roncou.

Dennis cruzou os braços.

— Aqui. Come.

Comprou ingredientes numa loja aberta e preparou arroz frito.

Mesmo numa casa vazia, tinha as habilidades “Chama” e “Purificação”.
Se quisesse, podia cozinhar nas profundezas de uma masmorra usando monstros como ingredientes.

Katie costumava chamá-lo de “Cozinha ambulante”, “A própria encarnação da culinária”, “Delinquente doméstico (Nv.99)”.

Colocou um prato diante dela.

Arroz, ovo, cebolinha, carne de Vritra e seus temperos pessoais.

Começou a comer em silêncio.

Atelier o imitou, levando uma colher hesitante à boca.

No instante seguinte, seus olhos se arregalaram.

Como se tivesse levado um choque.

Passou a comer com voracidade.

Dennis sentiu-se aliviado.

Ah. Então ela tem emoções.

Enquanto comia, percebeu que ela chorava.

Lágrimas grandes escorriam enquanto continuava a comer.

Ele não perguntou nada.

Se ela não queria falar, não precisava.

Comer bem e dormir bastante cura quase tudo.

E, mesmo que não cure…

Ainda assim é preciso comer.

Mesmo quando tudo parece perdido.

— …Está bom, Atelier?

— Nghf!? Nngh!? Gof—!?

— Ei! O que houve?!

— Cof! Gah—!?

— Você se engasgou feio! Não faça esses sons! Você era a personagem fria, lembra?! Está tudo bem?!

 

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